Você se lembra do PlayCenter? Ou melhor, você conheceu o PlayCenter?
O PlayCenter era um dos meus lugares preferidos no mundo, mais que um parque de diversões, era um lugar de magia, e que magia. Ele começou suas atividades em 1973 a beira da marginal Tietê, na capital de São Paulo. Nesse tempo, eu nem pensava em nascer ainda, mas tenho certeza que sua inauguração foi um momento muito especial. Afinal, foi um sonho que se tornou realidade para o engenheiro Marcelo Gutglas, criador e fundador do parque.
Ao longo do seu tempo de atividades, o parque foi crescendo não apenas em público, mas também em tamanho. No inicio, era um parque em frente ao ginásio do Ibirapuera com poucos brinquedos, mas que já inovava, tendo nele a primeira montanha russa de metal do paÃs. No entanto, seu sucesso veio a beira da marginal tietê, onde se tornou maior e mais radical, principalmente se comparado a outros parques.
Um pouco das minhas lembranças:
Quando pequena, nas minhas idas para São Paulo, dormia o caminho todo do interior até a capital, mas sempre pedia que minha mãe me acordasse no momento em que passássemos em frente ao parque, para que eu pudesse ver os brinquedos. Era o meu momento mais especial durante o trajeto de uma hora e meia. Apesar de sempre ter tido vontade de ir ao Playcenter, demorei anos para realizar o sonho, pois não havia excursões na escola para lá, mas sim para o Hopi Hari, que era relativamente mais perto e prático.
Me lembro que quando via o comercial, ficava morrendo de vontade de conhecer o parque, mas só fui quando completei 12 anos, pois finalmente fizeram uma excursão na escola. Posso afirmar que foi um dos melhores dias da minha vida. E porque? Porque nunca me aventurei tanto, nunca ri tanto, chorei de medo e aprendi a passar delineador em fila de brinquedo, (sim, a vaidade foi junto). Foi um dia repleto de aventuras, me deixando as melhores lembranças possÃveis daquele lugar.
Aliás, nunca tinha ido em um evento com monstros, por isso não sabia o que esperar da Noites do Terror. Realmente, era de ficar com muito medo. lembro que tinha dois corredores que ligavam um lado do parque ao outro, onde cada corredor tinha entre oito e doze monstros, que atuavam muito bem, sem contar no figurino que era espetacular. Mesmo sabendo que não era real, o susto era inevitável. O único lugar que não tinha monstro era onde acontecia a balada, próximo ao castelo dos horrores. Já do outro lado do parque, os monstros dominavam assim que desse o horário determinado. Ali, era um susto atrás do outro. Me lembro que um monstro de patins me seguiu próximo ao brinquedo Polvo. Tenho certeza que nunca gritei tanto na minha vida, confesso que nesse momento chorei de medo. Levei cerca de quarenta minutos para enfrentar o medo e continuar a me divertir.
Lembro também que, após assistir o mistério da Monga e a montanha russa Boomerang em um programa de TV, na época o Balanço Geral da rede Record, minha vontade de conhecer o Playcenter só aumentou. A partir daquele momento, ambos se tornaram a minha meta para quando fosse ao parque. Quando fui, comprei um passe livre, também conhecido como fura fila, para ir em vários brinquedos, principalmente os dois.
Ao sair da barca viking era possÃvel se molhar em uma ponte, que na verdade era o caminho de saÃda do brinquedo. Essa ponte era molhada pela queda de um dos brinquedos aquáticos, só não me lembro se era o Splash, ou o Waimea. Em dias quentes, isso era perfeito.
Já o show de abertura das Noites do terror era incrÃvel, na edição que fui o tema era "A legião dos espÃritos", foi demais. Os monstros passavam em volta da área como em um desfile, com bandeiras do parque, de maneira que nos cercava no espaço da abertura. Tendo lugares especÃficos, onde eles podiam ficar no alto. Formei lembranças incrÃveis de lá.
Mais sobre o parque:
O Playcenter teve shows inéditos por temporadas.
No ano de 1977 foi a estréia do filme King Kong, o gorila original usado nas filmagens se tornou uma atração do parque, sendo sem igual. No dia de sua estréia a atriz que protagonizou o filme, Jessica Lange, compareceu ao parque e realizou a cena em que o gorila a pega com a mão, ao vivo. Sendo um dos inúmeros momentos exclusivos mais marcantes da história do parque.
No final do ano de 1984 chega ao Brasil duas orcas, uma fêmea (Samoa) e um macho (Nandu). Essas orcas se tornaram protagonistas de um dos shows realizados no Playcenter, onde eram feitas acrobacias com as baleias assassinas. Muitas pessoas não se lembrar ou nem chegaram a conhecer este espetáculo, que era o Orca Show.
A orca macho Nandu, morreu no próprio parque. Seu corpo levado a USP, para que a causa da morte fosse descoberta. Já a fêmea, continuou no parque até ser vendida para SeaWorld. A compra ocorreu em abril de 1989, para fazer companhia a orca Kalina em Ohio durante o verão, (primeira orca a nascer e sobreviver em cativeiro, morreu em 2010 aos 25 anos). Mas, foi no SeaWorld do Texas que Samoa se envolveu com outra orca e gerou uma fêmea que nasceu morta. Horas após o parto a mesma acabou falecendo.
Já em 1993, o eterno rei do pop, Michael Jackson, também conferiu o parque e se divertiu em suas atrações, que durante muito tempo foi a maior diversão dos Paulistas, não só para os jovens, como para a famÃlia toda. Neste mesmo ano tivemos a inauguração da Gigantona, uma roda gigante com 50 metros de altura, para celebrar os 20 anos do parque. Aliás, essa roda gigante se encontra atualmente no Hopi Hari, localizado em Vinhedo, no interior de São Paulo.
O PlayCenter tem uma história incrÃvel, com altos e baixos, mas que deixou uma saudade sem igual. Suas atividades foram encerradas em 2012, após 39 anos de funcionamento, era sem dúvida um lugar muito especial. Fui no dia 25 de setembro de 2010, ainda tenho meu passaporte guardado, junto com uma única foto no parque, pois gosto de colecionar lembranças desse tipo.
Hoje, se eu pudesse escolher um lugar para voltar novamente, com certeza seria lá. Porém, não há mais parque para voltar, infelizmente. Me arrependi de não ter tirado mais fotos, mas por outro lado me diverti tanto que a ausência de fotos não é um problema, pois há uma longa lista de histórias para serem contadas sobre aquele lindo local.
Tiveram vários eventos legais no parque, enquanto pesquisava sobre sua história para me informar mais, pude ver quão grande foram os investimentos no parque, muitos com retornos positivos. Porém, nem sempre o parque foi apenas um sucesso, enfrentando problemas financeiros a partir de 1995. Neste ano, dois brinquedos radicais foram inaugurados, sendo eles o Evolution (que eu amo) e o Double Shock (que também amo). Houve também um acidente no parque neste perÃodo, onde um jovem caiu de uma altura de 10 metros, causando duas fraturas. Neste mesmo ano, Marcelo Gutglas vende ações do parque a GP Investimentos, que também participou junto com o Grupo Playcenter na criação de um novo parque, sendo ele o Hopi Hari, que na verdade deveria se tornar um novo Playcenter, mas seu nome foi mudado antes mesmo da inauguração. Foi a partir desde ano que o parque começou a acumular dividas, chegando ao momento mais critico em 2002. Foi então que Gutglas recomprou as ações do parque, se desfez da sua sociedade e parte do Hopi Hari, cuidando exclusivamente do playcenter, reestruturando o parque e o fazendo um sucesso novamente.
Em 2005 o parque teve sua reforma completa, aumentando a área de alimentação e criando um espaço infantil, tornando o parque mais aconchegante para toda a famÃlia.
Outros eventos e atrações marcaram o parque, como as férias com a turma da Mônica, jogos da copa, a própria Noites do Terror, entre outros. Era um lugar que sempre buscava se renovar, nunca permanecer igual.
Atualmente, ouvimos falar sobre a construção de um novo Playcenter, porém, por hora são apenas reuniões e noticias espelhadas na mÃdia ou em grupo de fãs do parque. Uma das últimas noticias falava sobre a possibilidade de um novo parque em OlÃmpia, no Interior de São Paulo. Vamos torcer para que esse projeto saia do papel, para matarmos a saudade deste encanto.
O parque esta realizando uma parceria com o parque de diversões Hopi Hari, para uma edição histórica da Hora do Horror (que era um péssimo evento, com poucos monstros), com a Noites do Terror do playcenter, que era genial. Estou louca para conferir tudo bem de pertinho.
E você, conheceu o parque? Comente sua experiencia.
Observação: Além do OrcaShow, tivemos também os shows com os Golfinhos.
As orcas que aqui estavam, foram capturadas juntas com Tillikum, sendo possivelmente irmãos. Tillikum é a maior orca em cativeiro do mundo, conhecida mundialmente após matar uma das treinadoras no SeaWorld em Orlando. Após este episódio, os treinadores foram tirados da água, não tendo mais contato fÃsico direto com as baleias.
As orcas que aqui estavam, foram capturadas juntas com Tillikum, sendo possivelmente irmãos. Tillikum é a maior orca em cativeiro do mundo, conhecida mundialmente após matar uma das treinadoras no SeaWorld em Orlando. Após este episódio, os treinadores foram tirados da água, não tendo mais contato fÃsico direto com as baleias.
Confira algumas imagens do parque para matar a saudade ou passar a conhecer:
Atual parceria:
Alguns comerciais:
Orca Show:
Noites do Terror:
(primeiro comercial)
Minha única foto no parque:
Local era próximo ao cine 2000.
Ao Marcelo Gutglas:
Deixo meu agradecimento por ter sonhado, por ter inovado ao criar o primeiro parque de diversões do Brasil. Graças a você, muitas pessoas tiveram a oportunidade de viver momentos únicos no Playcenter, criando histórias que serão passadas de pai para filho e assim por diante. Essas lembranças nos deixam sempre com saudade, mas gratos, por termos tido a chance de rir, chorar, gritar, dançar e principalmente, por termos nos divertido naquele pequeno refugio em forma de parque. Novamente e sempre, obrigada.
Escrito por: ThaÃs Ferreira
texto oficialmente publicado no dia: 17/06/2016 às 08:00 no horário de Brasilia.





























