Ficamos conhecidas como sexo frágil, como seres incapazes de realizar as mesmas funções que os homens, quando na verdade não é bem assim. Uma mulher sofre de cólica, TPM, preocupações diversas, pressões da sociedade e da própria famÃlia quanto ao seu futuro, mas principalmente, a violência, a vulgarização do corpo, além das diferenças de gritantes de salários no mercado de trabalho.
Crescemos com a cultura machista cravada no nosso ser, mesmo que sem perceber ou querer. Quantas pessoas, mulheres, ao menos uma vez na vida não falaram: "Olha lá, andando de roupa curta. Depois reclama?" ou simplesmente ao ver uma menina com roupas mais sensuais, dizer que ela não quer ser julgado depois? Mesmo que não tenhamos dito algo assim, já ouvimos ou fizemos a leitura de comentários desse tipo, eles são comuns diariamente, infelizmente.
Mulher tem medo ao andar na rua sozinha, seja de dia ou a noite. Em lugares desertos, em avenidas, em qualquer lugar. Somos frenquentemente assediadas pelo sexo oposto de forma descarada, deselegante e sem um pingo de respeito. Sabe aquelas famosas cantadas de pedreiros? Os assovios na rua? O "oi gostosa"? Eles são uma das diversas formas de assédio que convivemos todos os dias. Mesmo assim, grande parte da população entende isso como normal. Atos assim não são normais.
Nós sofremos também no momento da contratação para um emprego, pois podemos engravidar e para a empresa é visto como um gasto, visto como um prejuÃzo. Uma discriminação pela qual ninguém do sexo masculino passa. Sem falar, que uma mulher ocupando o mesmo cargo que um homem, exercendo as mesmas funções e as vezes até mais, ganha no minimo vinte por cento a menos. Ou seja, ainda não chegamos a igualdade, não passamos nem perto.
Mas quando se trata de maternidade, além de todo o processo de gerar um bebê, precisamos lidar com o desapego, o momento de colocar o filho em uma creche, uma escolinha ou deixar com alguém para cuidar e retornar ao mercado de trabalho. Para o homem é sempre mais fácil, pois não amamenta, não tem essa ligação tão forte como a mãe, não estou dizendo que o pai não ame o seu filho, mas o laço maior costuma ser com a mãe logo nos primeiros meses de vida.
É, ser mulher não é fácil, é complicado, é sofrido, é difÃcil. Penso que ainda temos sorte por morar em um paÃs que essas diferenças e julgamentos são menores, quando comparado a paÃses do oriente médio, onde mulheres são até mesmo apedrejadas.
Mas nem de longe somos vistas como sexo forte, ou de maneira semelhante aos homens. No entanto, não podemos esquecer que para termos um dia dedicado a nós, mulheres morreram queimadas. Com este dia, só consigo pensar no quanto sofremos, aprendemos e e evoluÃmos na luta dos nossos direitos, seja internamente ou externamente. Então, um feliz dia para você, mulher, consequentemente uma guerreira desde o nascimento, em uma sociedade difÃcil de viver.
ThaÃs Ferreira Santos
